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Telemedicina no Brasil requer atenção para ser eficaz

A telemedicina no Brasil é recente, apesar de considerada por pesquisadores do todo o mundo como uma das grandes transformações da prática médica, com amplo potencial de desenvolvimento nas próximas décadas. A prática tem ganhado cada vez mais relevância na área da saúde, principalmente como forma de evitar a propagação da Covid-19. A tendência é que permaneça forte após a pandemia, e que médicos e pacientes se acostumem com o atendimento remoto via digital.

Apesar da evidente vantagem de evitar a consulta presencial quando possível, prevenindo contágios, economizando tempo e dinheiro de ambas as partes, existem, também, as polêmicas quanto aos pontos sensíveis da telemedicina no Brasil.

Contrapontos da telemedicina no Brasil

“Um projeto de telemedicina precisa ser robusto, e, acima de tudo alicerçado em uma plataforma que garanta o sigilo da informação, compliance e ética”, afirma Dr. Marcos Loreto, diretor Médico Técnico da Omint. “Achar que a telemedicina é simplesmente uma teleconferência entre médico e paciente é colocar em risco todos os princípios de uma telemedicina ética e responsável”.

Outros fatores de dificuldade são inerentes à população brasileira. “Ainda há desconfiança por parte de alguns pacientes, acesso restrito à internet de qualidade e principalmente a mudança de cultura, para os protagonistas, deste novo cenário, inevitável ao futuro próximo e já solidificado em outros países”, argumenta André Gamonal, gerente Comercial da Ampla Consultoria.

“Sem dúvida, existe um preconceito, tanto entre os pacientes como entre os próprios médicos, uma vez que a medicina se baseia no contato direto e no exame físico”, analisa Valmir Gomes, gerente Comercial da Plena Saúde. “Os brasileiros estão acostumados a telefonar e trocar mensagens com seus médicos, então a consulta através de plataformas seria o passo seguinte.  Além disso, discute-se também cirurgias remotas através da tecnologia robótica, o que sem dúvida é um avanço no sentido de permitir que um médico altamente especializado possa operar um paciente a distância”, relata.

“Qualquer nova tecnologia encontra resistência, o que tem que ser feito é educar tanto a classe médica, sobre a utilização, como os pacientes”, argumenta Jean Marc Nieto, diretor Geral da Teladoc Health. “Vemos casos de alguns países, como Estados Unidos, que tinham uma pequena utilização e, de repente, houve um efeito de manada, estourou, e hoje 70% da população utiliza a telemedicina”, conta. “Vamos fazer o aculturamento mostrando os benefícios da telemedicina no Brasil, assim, conseguimos reduzir esses obstáculos”.

Nicolas Toth, CEO da Sharecare Brasil, avalia que este é um momento empolgante para as empresas de saúde no Brasil, já que o mercado está se tornando mais dinâmico a cada dia, com maiores investimentos e desejo de promover mudanças.  Para ele, “as empresas healthtechs desempenharão um papel significativo para ajudar o mercado a ser mais eficiente e eficaz em alta escala, para causar impacto em dezenas de milhões de pessoas no Brasil”.

Apesar da facilidade com a chegada da telemedicina no Brasil, é preciso bom senso por parte dos pacientes, principalmente aqueles que fazem parte dos grupos de risco, como obesos, idosos, diabéticos, hipertensos e portadores de doenças cardíacas e renais crônicas.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, ressalta que cada caso tem que ser discutido com o médico assistente. “Esses pacientes devem se expor o mínimo necessário, mas não devem suspender o acompanhamento de sua condição, sob risco de ter um agravamento de seu problema de saúde”, reforça.

 

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